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sexta-feira, 17 de julho de 2009

O SILÊNCIO

Somos a geração que não suporta o silêncio. Estamos perdendo a capacidade da introspecção. Colhi algumas pérolas nesses últimos dias sobre o silêncio. Um pastor me disse, “não consigo preparar meus textos sem ouvir belos hinos”. Compartilhando com uma antiga amiga nova sobre a solidão como companheira em meu ministério, ouvi dela, “nisto somos diferentes, não a tenho como amiga, só a utilizo para o descanso”. Vários estudantes me disseram, “não consigo estudar sem ouvir o I-Pod”. O silêncio se tornou inimigo da geração barulhenta, tecnológica e ativista. Enquanto escrevia este texto, recebi um e-mail de uma ovelha que me perguntou, “qual seria o relacionamento do homem com Deus se não dependesse d'Ele para nada?” A resposta merece cuidadosa reflexão, contudo, envolve o fato de que Deus ama, usa e trabalha em silêncio, e para nós, o silêncio de Deus é um ato de terrorismo celestial (Lm.3.26, 28; Hc.1.2; Sl.13; Sl.13.1-2; Rm.16.25; Ap.8.1). O silêncio tem suas facetas, entre as quais quero destacar três: I. O silêncio da culpa. Recentemente acompanhei um servo amado que armazenou a culpa por longo tempo e, enfraquecido, não exprimiu sua confissão, não venceu o silêncio. Ao contrário, esse o venceu, levando-o a ingerir a morte e não fosse a misericórdia do Senhor soprando vida, ele não mais estaria entre nós. O silêncio da culpa é perverso, mortífero. Com a culpa não se deve cerrar os lábios. O silêncio não cura culpa. “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados...” (Tg.5.16). (Sl.32; Pv.28.13; I Jo.1.9), é isso que as Sagradas Escrituras nos ensinam. II. O silêncio da sabedoria. O sábio não é prolixo, mas é preciso com as palavras. Ouve com empatia e processa em silêncio o que escuta. Um dos fatos que mais me impactou no livro A Cabana foi o encontro que Mack teve com Sophia, a personificação da sabedoria de Deus, em uma caverna escura. Ela havia silenciado durante todos aqueles anos, mas aquele dia era o tempo exato para o acerto de contas com alguém que vivia seu silêncio interior, atribuindo à sabedoria de Deus, estupidez. A narrativa do diálogo entre eles é estupenda, forte, comovente e atinge seu clímax quando Sophia, esbravejando, diz que Mack devia julgar Deus e a humanidade. Ele responde várias vezes em tom e sentimentos de medo, ira e quebrantamento, “não posso fazer isso, não posso, não posso”. Ele não podia mesmo, posto que, seu silêncio, em todos os seus anos, era expressão de dor e ódio pelas pessoas e por Deus. Mack não havia conhecido o silêncio da sabedoria, até seu encontro com Sophia. O sábio usa mais o silêncio do que as palavras, porém, quando essas saltam de seus lábios são “trator rasgando a terra”: revira todo o chão e o torna macio para receber a semente que gera vida. Jesus falou bastante, mas seus discursos foram resultados de noites solitárias em silêncio nos desertos e jardins (Mc.1.35; Lc.11.1). O vaidoso procura as multidões para falar e receber seus aplausos, o sábio prefere o silêncio e os aplausos do Céu. O vaidoso corre atrás das massas para se mostrar, o sábio fica em silêncio até que as pessoas venham ouvi-lo. O silêncio da sabedoria produz mais mudanças do que as muitas e inúteis frases elaboradas na mente de quem não teve um encontro com a sabedoria de Deus (Ec.9.17). III. O silêncio da trindade. Quando Deus silencia, até a eternidade fica inerte (Ap.8.1). Se o Espírito Santo se cala, nosso argumento não é convincente (Lc.12.12). Quando Jesus fica em silêncio, o homem perturba-se (Mt.26.62-63). Deus silencia quando estamos falando em demasia ou resolvemos ignorar seus conselhos e, portanto, nos deixa à vontade em nossos erros, a fim de reconhecermos nossa insuficiência. Como diz o profeta Amós, “o que for prudente guardará, então, silêncio, porque é tempo mau” (Am.5.13). Portanto, este é um período de angústia, tempo mau e oportunidade para ser prudente. Segundo Jeremias, quando Deus se manifesta silencioso, o melhor é aguardá-Lo também em silêncio, “bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso em silêncio” (Lm.3.26). Nossa paz repousa no fato de que o silêncio de Deus não dura para sempre, “Quando o cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora” (Ap.8.1). Ele tem um tempo determinado e não é tão longo se comparado ao tempo em que O ouvimos e vivemos em Sua presença. Que o Senhor nos ajude a nos reconciliar com o silêncio, para vivermos dias tranquilos em nosso espírito, em meio ao agito e ao barulho que acontecem ao nosso redor. N'Aquele que nos ama incondicionalmente e nos compreende sem nenhuma explicação.

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